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O Impasse do Tratado Global Contra o Plástico

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A poluição plástica é hoje uma das maiores ameaças ambientais do planeta. Estima-se que mais de 11 milhões de toneladas de plástico cheguem aos oceanos todos os anos, afetando a biodiversidade, a saúde humana e as economias locais que dependem do turismo e da pesca. Diante dessa crise, em 2022 a ONU iniciou um processo histórico: negociar um tratado global juridicamente vinculante para enfrentar a poluição plástica em todas as suas fases, desde a produção até o descarte.

No entanto, as negociações mais recentes, realizadas em Genebra em agosto de 2025, mostraram como o tema está longe de um consenso. O impasse entre países produtores e consumidores de plástico ameaça o futuro do acordo, levantando dúvidas sobre a capacidade da comunidade internacional de responder a tempo a esse desafio.


Dois Blocos em Conflito

De um lado, países europeus, latino-americanos e africanos defendem limites claros à produção de plásticos virgens, especialmente aqueles de uso único, considerados os maiores vilões da poluição ambiental. O objetivo é reduzir a fabricação na origem, apostando em alternativas biodegradáveis, sistemas de reutilização e maior circularidade.

Do outro lado, grandes produtores de petróleo e nações asiáticas argumentam que o tratado deve focar apenas na gestão de resíduos e na reciclagem. Para eles, limitar a produção poderia prejudicar indústrias estratégicas, gerar perdas econômicas bilionárias e afetar empregos.

Esse embate travou a criação de um rascunho final para o tratado, que deveria ser apresentado ainda em 2025.


Por que o tratado é tão importante?

Sem uma ação global coordenada, cada país continua a adotar políticas isoladas, o que gera inconsistências e reduz a eficácia das soluções. Além disso, como o plástico é uma commodity globalizada, a produção e o consumo são interdependentes. O que é fabricado em um país pode acabar descartado em outro continente, dificultando a rastreabilidade e o controle.

Um tratado internacional poderia estabelecer:

  • Metas de redução na produção de plásticos de uso único.

  • Padrões globais para design e rotulagem de embalagens recicláveis.

  • Mecanismos de financiamento para países em desenvolvimento melhorarem sua gestão de resíduos.

  • Compromissos de transparência das indústrias petroquímicas.


O que está em jogo

Se o impasse continuar, a poluição plástica pode atingir níveis irreversíveis. Estudos apontam que, até 2040, a quantidade de plástico nos oceanos pode triplicar caso não haja uma mudança drástica no modelo de produção e consumo. Isso não afeta apenas a fauna marinha, mas também a saúde humana, já que microplásticos já foram detectados em alimentos, água potável e até no sangue humano.

Por outro lado, o tratado também representa uma oportunidade econômica. Indústrias de bioplásticos, embalagens sustentáveis e tecnologias de reciclagem avançada poderiam se beneficiar de uma transição global, gerando empregos e estimulando inovação.


E agora?

A próxima rodada de negociações deve ocorrer ainda este ano, mas especialistas já alertam: se não houver flexibilidade e vontade política, o tratado pode fracassar antes mesmo de nascer. O mundo acompanha de perto, porque a questão não é mais se devemos agir contra a poluição plástica, mas sim quanto tempo ainda temos antes que os danos se tornem irreversíveis.


Conclusão

O impasse nas negociações do tratado global contra o plástico deixa claro que o mundo ainda precisa equilibrar interesses econômicos e ambientais. A poluição plástica não é mais uma ameaça distante, mas uma realidade que já afeta oceanos, cadeias alimentares e até a saúde humana. Chegou o momento de transformar discursos em compromissos firmes e ações concretas.

Se a comunidade internacional não conseguir chegar a um consenso, o preço será pago pelas próximas gerações, que herdarão um planeta sobrecarregado de resíduos quase indestrutíveis. Por outro lado, um acordo ambicioso pode abrir caminho para uma revolução verde na indústria, estimulando inovação, empregos e novas formas de consumo sustentável.

 
 
 

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